
Fiquei chocada hoje com a realidade. Voltando pra casa depois da faculdade, eu parei no centro pra fazer algumas coisas e logo quando eu desci do ônibus, dei de cara com o "homem barro", esse homem estava com o corpo coberto de barro e parado imitando uma estátua, quando uma pessoa passava e colocava uma moeda em seu pote, ele se mechia de uma maneira engraçada em forma de agradecimento. Algumas pessoas em sua volta davam risadas daquele homem, outras ficavam paradas olhando pra ele e muitas (a maioria) nem se quer percebeu a sua presença.
Um pouco mais tarde, quando eu ja tinha acabado de fazer as minhas coisas, eu voltei ao ponto de ônibus e enquanto o ônibus não chegava eu percebi um homem sentado no banco do meu lado, descalço, com a roupa toda suja e estava carregando uma sacola e dentro dessa sacola haviam DVDs e um relógio (isso foi tudo que eu vi quando ele foi mecher nela). Fiquei pensando em como o pé daquele homem poderia estar doendo, andando na rua de uma cidade muito quente como essa.
Do mesmo modo que eu estava ali parada esperando o ônibus chegar, ele também estava. E aquele dinheiro que eu ia pagar pra poder entrar no ônibus, ele também ia pagar... A única diferença é que pra mim, aquele dinheiro não fazia muita diferença, ja pra ele fazia toda a diferença, pois era menos $2.30 do pão de cada dia.
E é claro que eu vi muitas outras pessoas em uma situação que eu não gostaria de estar e graças a Deus eu não estou, mas aí a gente para pra pensar no que o ser humano precisa fazer nessa vida pra sobreviver, para chegar em casa (se tiver uma casa) e dar o que comer para sua família.
Chegando em casa, eu me arrependi muito de não ter colocado uma moeda para aquele homem e não ter dado um chinelo para o outro. Mas se eu pensar melhor, eu não posso querer mudar todas as coisas ruins que eu vejo por aí. Temos sim que ajudar o próximo, mas não conseguimos ajudar todos. Infelizmente.
